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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Travar os gatunos em Northampton!



Meus queridos,
Como devem ter visto hoje nas notícias, tenho estado a gastar os últimos cêntimos da minha pensão para viajar pelo mundo e meter silicona nos meus peitos, razão pela qual não tenho tido tempo para partilhar convosco as minhas desventuras.
No entanto, deixo aqui convosco este vídeo.
Ora, como podem verificar, estava eu a passear em Northampton quando vejo aqueles gatunos a assaltar a joalharia! Pois eu sei muito bem aquilo porque os joalheiros passam, porque já trabalhei num sítio desses, nos primeiros anos em que vivi em Lisboa. Estamos nós, na loja, a resistir à tentação, com aquele ouro todo à nossa volta, a contrariar os nossos instintos para não sorripiar um único anel de diamante e, volta na volta, aparece sempre algum gatuno a tentar estragar tudo!
Pois eu digo que isso é frustrante para quem lá trabalha! Se os empregados não podem meter nada para o bolso, os dorgados também não!
Assim, ao ver aquela ladruagem, decidi correr em auxílio dos que não faziam nada para prevenir aquela injustiça, e toca de arrear neles! Dei cabo daquela vadiagem toda! Aquilo é que foi vê-los a berrar pela Nossa-Senhora dos Aflitos!

Com a Antonieta ninguém se mete, ou não me chamo
Antonieta de Jesus Cristo-Rei no Céu e na Terra Aleluia Piriquita!

Beijinhos a todos! Espero mandar-vos mais uns postais em breve!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O Matias, a X-Box e o Fantasma...

Meus queridos, já não sei o que fazer. O Matias zangou-se comigo. Eu devia tê-lo levado comigo para o Réveillon. Porém, em vez disso, pensei que ele se ia divertir mais com os amigos e soltei-o. Claro que, como só voltei passados alguns dias, o gato já cospia fogo pelas ventas e estava incrivelmente revoltado comigo. Nunca mais me falou. Dei-lhe pasta de atum, os camarões que roubei à minha nora, até lhe comprei fígado, que o bichano tanto adora. E nada! Nada o fez voltar a ser como era!
Assim, um dia desta semana, a Celeste disse-me que tinha comprado uma daquelas consolas barulhentas para os netos. Aquelas pestes são horríveis! Horríveis! Só vão ter com a avó pelos anos e pelo Natal! Parecem ter saído da minha família... Mas ela continuou a história, e ao que parece ela ofereceu-lhes essa coisa ruidosa para eles ficarem especados à frente da televisão como se fossem uns tontinhos, mas na condição de esta ficar lá em casa dela. A partir daí, todos os dias, depois da escola, as pestinhas vão para casa da avó. Ao início nem lhe ligavam, mas como ela lhes foi preparando uns lanches e uns bolinhos (aquela mulher faz uns bolos quase melhores que os meus... quase!) agora a avó é quase a melhor amiga deles.
Decidi, então, usar a mesma estratégia. Comprei uma consola para o Matias! Mas até agora parece não estar a surtir efeito. Já comecei a mexer naquilo, a ver se lhe faço inveja, mas sou muito má com estas coisas, e o gato continua a ignorar-me.
Entretanto, como o Matias já não dorme comigo e não adormeço com o ronronar dele aos meus ouvidos, comecei a ouvir os ruídos mais estranhos durante a noite. São de arrepiar. Começava por sentir uma presença, apenas, mas pensei que fosse tudo da minha imaginação. Nos dias seguintes, foram os afrontamentos! Credo! Tanto calor! Insuportável. Transpirava-me toda, até tinha que despir a combinação que ficava toda ensopada em suor. Finalmente, de há uma semana para cá, vieram os suspiros. Meu Deus! Se fosse uma galinha, tinha largado um ovo no preciso momento em que ouvi aquilo pela primeira vez! Que susto! Nossa Senhora dos Aflitos nos proteja a todos de uma presença que suspire daquela maneira no nosso quarto!
Decidi contar essa história à minha Olívia, ante-ontem, quando ela veio cá surripiar-me o almoço, porque parece que se zangou com a fufa Diana, com quem já andava a almoçar todos os dias... Valha-nos Deus! Pode ser que a coisa lhe passe e o Demo abandone aquele corpo!
Continuando, a minha neta, toda miserável e chorosa por causa da amiga traidora (ela não mo disse, mas eu sei que foi por isso. Aquelas lágrimas não enganam ninguém. Parece uma porquinha toda inchada e ranhosa quando está desgostosa de amores), disse-me que a melhor maneira de ver se havia alguém a assombrar-me o quarto era dar-me uma máquina fotográfica, para eu apanhar a Besta em flagrante quando começasse a perturbar-me o sono! Claro! O que ela estava à espera era que eu fotografasse a parede ou o tecto e pronto - a avózinha anda a ouvir coisas. Vamos interná-la e fazer as partilhas.
Mas não! Adormeci com a máquina fotográfica nas mãos e quando ouvi aquele sussurro outra vez, saquei do aparelho e Zás! Apanhei a criatura demoníaca mesmo a olhar para mim. Meu Deus! Os arrepios que me dá! Tenho uma aparição nua no meu quarto a assombrar-me os sonhos! Nossa Senhora dos Aflitos me proteja, que já não sei aguento mais destes afrontamentos...

Sinceramente,
Antonieta de Jesus Cristo-Rei no Céu e na Terra Aleluia Piriquita!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Festas! O meu dia de Natal...


Meus Queridos! Devem ser as únicas pessoas que me adoram! Desculpem-me ter estado afastada de vós durante tanto tempo! Estas festas todas são demais para uma senhora de idade como eu, que sofro tanto da minha saúde. Todavia, primeiro que tudo: Um Glorioso Ano Novo para todos, na paz do Senhor, com muita luz e com Jesus nos corações.

Nem vão acreditar nas minhas desventuras, ao longo das últimas semanas. Depois de todas aquelas tempestades, que quase me fizeram pensar que 2012 tinha chegado e ia conhecer o Senhor, tive dois dias para limpar a casa, completamente sozinha, com a fraca ajuda da minha Olívia, e deixar tudo pronto para o Natal, porque os meus filhos queriam que a família se juntasse toda lá para celebrar as festas e a casa da mamã é maior que as deles. Tantas limpezas deixaram-me os bafos de fora. A Olívia varreu-me o chão todo e lavou-o e eu tinha que ir sempre atrás dela, porque a rapariga é muito pouco dotada para dona-de-casa e ficava tudo sujo na mesma. Nem as minhas estatuetas de Nossa Senhora dos Aflitos ela sabia limpar bem e arrumar no sítio certo dos móveis. E os cortinados que ela queria que eu pendurasse na janela da cozinha! Que horror! Tive que esperar até a rapariga sair de casa para os trocar. Estava sempre a mandar-me sentar, que não queria que eu me cansasse e que ela era muito bem capaz de tomar conta do recado e tratar da minha casa sozinha. Mas se não fosse eu, aquilo nunca tinha ficado pronto para o Natal. O que ela não queria era que eu a estivesse a tentar ensinar a cuidar da casa, como uma senhora deve ser. Eu, que sou uma avó tão preocupada, calhou-me uma neta que não sabe dar valor ao que eu lhe tento ensinar todos os dias. Porém, ainda não disse tudo!

Mal consegui dormir na noite de 24 para 25. Depois daquela Consoada que a minha nora preparou, tão desleixada... Se há coisa de que eu me arrependo é de ter deixado o meu filho mais velho casar-se com aquela mulher. É bondosa e muito fértil... Mas não sabe cozinhar! Parece impossível! O bacalhau era seco e não tinha sabor. As batatas estavam cruas e serviu-nos marisco para as entradas! Marisco! Queria matar-me! Até parece que não sabia que eu era alérgica ao marisco! Gritava comigo para eu não comer os camarões e punha-me um pratinho com queijinhos ao colo para eu comer. E de cada vez que eu me enganava no prato e pegava num camarãozinho, lá vinha ela aos gritos, a dizer que eu não os podia comer! Se eu não os podia comer, por que é que ela os tinha comprado para a Consoada? Era para me matar! Só podia ser por isso...

Depois de me ter enchido de nervos, empanturrei-me com sonhos e rabanadas e tive pesadelos toda a madrugada. Quando, finalmente consegui adormecer, acordei com os gritos dos meus trezentos bisnetos. Tanta criançada, Credo! Nem sei o nome deles! Chamo-lhes meninos queridos e eles pensam que gosto deles, mas mal os conheço, porque os pais nunca me vêm visitar. Só na altura de lhes comprar prendas. Contudo, como eu nunca sei quando é que as criaturinhas fazem anos, tenho uma caixa cheia de peluches por baixo da cama para oferecer quando eles me visitam. Seja como for, eles estavam a gritar por causa do Pai Natal. Ele tinha-lhes levado presentes durante a noite!

Ai, se eu detesto o São Nicolau! Esse homem não era santo nenhum! Roubou o dia de aniversário do menino Jesus, e só se fala no velho de barbas que dá presentes! Na minha terra, o velho de barbas que dava presentes era o Sr. Agostino, que tinha muito más intenções e teve que ser imasculado para deixar as crianças em paz. Levantei-me da cama em combinação e saí para a sala para lhes ensinar que era o dia de Jesus e não o do Pai Natal, mas as crianças começaram a gritar assustadíssimas quando olharam para mim e as minhas filhas levaram-me novamente para dentro do quarto para me vestirem e porem-me decente para as festas.

Tivemos que comer um perú recheado que tinha um molho que a minha nora inventou. Toda a gente gabou aquele molho, mas cá para mim aquilo era só aguardente para nos embebedar a todos. E doces, todo o santo dia! E cházinhos! E o berreiro daquelas criaturas pequenas com os seus brinquedos barulhentos! E visitas! Sempre a aparecer gente que dizia que me conhecia, mas que eu nunca tinha visto na vida. Claro que fui simpática para toda a gente e disse sempre «Ah, sim! Eu lembro-me de ti quando eras pequeno... És aquele que me vinha roubar as laranjas do meu quintal!» ou então «Ah, sim! Eu lembro-me de ti quando eras pequena... És aquela que corria em cuecas no recreio da escola!» Toda a gente se ria muito e deixavam-me em paz.

Entretanto, como estava cheia de comida até ao pescoço e estava cansada de tanta confusão, decidi que estava a precisar de dormir uma sesta e adormeci no sofá... Até que fui acordada pela voz da minha Olívia a dizer:

- Já viram a boca dela? A velha morreu ou está a dormir?

Teve muita sorte, por estarmos no Natal. Estive quase para a tirar do meu testamento. Contudo, em vez disso, limitei-me a murmurar, ainda de olhos fechados:

- Posso parecer uma morta a dormir, mas pelo menos a minha pachacha funciona!

Posso ter deixado a criatura a chorar, e os meus filhos a ralharem comigo, e os meus bisnetos a perguntarem aos pais e à Olívia o que era uma pachacha, mas acabei o Natal a rir-me que nem uma perdida.

Sinceramente,

Antonieta de Jesus Cristo-Rei no Céu e na Terra Aleluia Piriquita!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Pequenos Criminosos e O Fim do Mundo! - 1ª Parte



Ai, meus queridos, ainda não consegui parar de tremer. Esta semana, fui com a minha Olívia ao cinema. Porquê? Porque por muito simpática que seja a fufa Diana, não deixarei que a minha neta caia nos caminhos da luxúria e da perdição! Jamais!

Esta semana, sentei-me à janela do meu quarto, algo que eu faço algumas vezes, e vi algo que só pode ter sido obra do diabo! Pela minha janela consigo ver todo o meu bairro. Quando não vejo o que as minhas vizinhas andam a fazer, ou os trabalhadores da obras na igreja de Nossa Senhora dos Aflitos, que se matam a trabalhar, todo o santo dia a martelar e a transpirar e a mandar piropos de cima do telhado da igreja às raparigas que vão para a Universidade... É uma vergonha, mas... Oh! Aquilo é que são homens! Fortes que nem touros! Têm pêlos no peito!

Onde é que eu ia? Olhem, já nem sei. Vou fazer um chá. Mais logo acabo a história. Os afrontamentos dão cabo de mim... Meu Deus... A falta que o meu Arnaldo me faz...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A Josefa foi para o Brasil


A Josefa foi para o Brasil! Pronto! Já disse! Aquela porca, depois de me andar estes anos todos a pedir açúcar emprestado e a destruir os meus canteiros, decidiu fugir para lá, sabendo que eu não a apanhava. O que ela não sabe é que eu tenho as minhas poupanças e um dia, se me passa pela cabeça, pego em tudo e vou para lá atrás dela. Imagine-se... A Josefa no Brasil!

Ela não se deve é lembrar é da gripe A e Deus me perdoe por dizê-lo, mas aquela vadia vai apanhá-la! Eu já me preveni! Tenho duas caixas de Tamiflu na cozinha, escondidas atrás do fogão, porque a minha filha mais velha anda sempre a ver o que eu ando a tomar, e também já fui falar com o Dr. Alberto para me meter na lista para receber a vacina. Ele disse que não havia lista nenhuma, mas a Antonieta é que ele não engana e obriguei-o a escrever no Magalhães dele que a Antonieta era a primeira a ser vacinada. Podem ter a certeza que quando levar a injecção, vou logo apanhar um avião para o Brasil e hei-de apanhar a Josefa a vadiar na praia com um velho brasileiro fala-barato a espirrar para cima dela! O marido dela pode ter morrido há dez anos, mas não é desculpa para largar o luto e ir assim para além-mar!

Já agora, aproveito para dizer que a minha Olívia já parece mais bem encaminhada. Consegui ensiná-la a bordar, e a rapariguinha engana-se muito! Mas tenta, e isso é o mais importante! Ainda ontem fez um napronzinho sem jeito nenhum, mas eu roubei-lho e durante a noite tive a fazer a rendinha toda como deve ser para ela não passar vergonha nenhuma quando a Gracinda cá viesse a casa coscuvilhar.

E aproveito também para desabafar que os nossos filhos quando crescem são uns mal agradecidos! Eu tive este trabalho todo a casar-lhes os filhos, e eles ainda me vêm puxar as orelhas como seu eu fosse uma criança! É verdade que eu não casei o meu neto Ricardo, mas antes o tivesse feito, porque aquela criatura possuída pelo Demo decidiu casar-se com uma matrona vinda das Áfricas e já tiveram dois filhos da cor do café com leite... De resto casei o meu Filipe (tão gracioso que é aquele rapaz... casei-o com a bela Joaninha, neta da Matilde, tão minha amiga), casei a Aninhas (tão linda com o vestido de noiva que eu lhe fiz), a Maria, o João, a Margarida e o Bernardo. Só me falta a Olívia! E os pais dela virem-me chatear... Já sou uma senhora de idade! Dizem-me que ela já é crescida e sabe do que é melhor para ela, e para eu não andar sempre em cima dela. Se andasse sempre em cima dela, a minha neta nunca tinha ido ver maminhas no Magalhães! A rapariga precisa de quem a ensine a ser uma senhora! Se os pais dela não o fazem, faço-o eu! Valha-me minha Nossa-Senhora dos Aflitos e o Dr. Alberto, porque este meu coração não aguenta de tudo! Eu ia morrendo quando me disseram que se a Olívia "gostasse de meninas" isso era problema dela!

Que escândalo! Que escândalo!

Sinceramente,

Antonieta de Jesus Cristo-Rei no Céu e na Terra Aleluia Piriquita!